02/
Aug
Após ameaça de processo, hospital privado opera paciente que esperou 9 horas por cirurgia

O trágico desfecho da história de Ana Carolina Cassino, que morreu no Hospital da Unimed, na Barra, há quase três anos, quase se repetiu, no dia 30 de junho, no Copa D'Or, no Rio. A geóloga Amanda Assis, de 40 anos, uma americana casada com um brasileiro e que vive no Rio, deu entrada na unidade particular com dores no abdômen. Foi diagnosticada com apendicite.

 

Em agosto de 2014, Ana Carolina, uma farmacêutica de 23 anos, teve o mesmo problema. Foi levada para o Hospital da Unimed, na Barra. Só que lá, ela esperou cerca de 24 horas para ser operada. Acabou morrendo.

 

O publicitário Pablo Assis, de 35 anos, marido de Amanda, conta que três horas após o diagnóstico, ela continuava longe da sala de cirurgia e que a administração do Hospital acusava o seguro-saúde de Amanda de não colaborar. E para ele, o seguro americano Tokyo Marine HCC informara que estava seguindo o procedimento padrão e que o hospital não queria aceitar. Pablo, inclusive, tinha em mãos um e-mail enviado pelo seguro americano informando que pagaria ao Copa D'Or por procedimentos até o valor de US$ 2 milhões.

 

- Eu estava com esta carta nas mãos, mostrei isso para todo mundo e não adiantou. E disse que se o seguro não pagasse, eu pagaria - conta.

 

A direção do hospital, por meio da assessoria de comunicação, diz que "não houve negativa de atendimento à paciente Amanda Assis". Leia a versão da rede abaixo.

 

De acordo com Pablo, sete horas após o diagnóstico, um funcionário do Copa D'Or informou que "infelizmente o hospital não aceitaria o seguro" e que a família teria que pagar pela cirurgia: R$ 50 mil.

 

Ameaça de ação
Nisso, uma amiga o aconselhou a entrar em contato com Davi Monteiro, advogado do Movimento Chega de Descaso, que luta pela melhoria dos sistemas público e privado de saúde. O advogado orientou que Pablo pedisse ao Copa D'Or "um laudo conclusivo do diagnóstico" e informasse que iria à Justiça.

 

- Em 15 minutos, a supervisora geral e o diretor financeiro do hospital estavam na sala e a partir daí tudo fluiu. Cirurgia autorizada e bola pra frente - conta Pablo, em sua página no Facebook.

 

Amanda foi operada pouco depois das 20h daquela sexta-feita, cerca de nove horas após o diagnóstico. Cerca de um mês depois da cirurgia, Amanda passa bem e já está quase recuperada.

 

O Movimento Chega de Descaso, que orientou o marido de Amanda, foi fundado pelo farmacêutico Leandro Farias, de 26 anos, após a morte de sua então noiva, Ana Carolina Cassino (foto abaixo). A jovem de 23 anos esperou 24 horas pela cirurgia de apendicite. Foi operada, mas morreu horas depois.

 

 

Veja, na íntegra, a versão da rede D'Or São Luiz:
"A direção do Hospital Copa D’Or esclarece que não houve negativa de atendimento à paciente Amanda Assis. Toda a assistência prestada visava exclusivamente sua segurança, independentemente dos trâmites com a seguradora de saúde da paciente.

 

Ao dar entrada na emergência do hospital, Amanda foi imediatamente atendida, recebeu o diagnóstico de apendicite e iniciou-se o tratamento. Enquanto realizava os exames pré-operatórios e era preparada para a cirurgia – o que inclui o jejum (procedimentos necessários para segurança do atendimento), seguiam os trâmites burocráticos de liberação junto a seguradora. 

 

Cabe ressaltar que a paciente permaneceu todo o tempo sendo assistida pela equipe médica, tendo o procedimento cirúrgico ocorrido com sucesso, dentro do período previsto. O hospital está à disposição da paciente e familiares, e já os convidou para esclarecimentos que ainda se façam necessários."

 

Fonte: O GLOBO