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Compliance tem falta de profissionais e salários acima de R$ 10 mil

Há cerca de dois anos, se um profissional quisesse se especializar em compliance no Brasil, ele teria de ser autodidata ou aprender na prática. Com as recentes operações da Polícia Federal, Lava Jato e Zelotes, que investigam fraudes fiscais e esquemas de corrupção, o cenário mudou. O compliance officer começou a ganhar visibilidade e alunos de variados cursos de graduação e pós-graduação passaram a demandar uma formação mais adequada.

 

"Cada vez mais jovens estão ocupando cargos de alta competição dentro da área de compliance e, muitas vezes, eles não têm preparo. É um território que requer muitas habilidades", destaca a professora Ana Paula Candeloro, da pós-graduação do Insper. A instituição tem um curso intensivo de compliance que começa em janeiro (veja abaixo). 

 

A escassez de profissionais bem formados e com experiência e o status de área estratégica fazem com que os salários sejam bastante atrativos. Segundo o guia salarial da empresa de recrutamento Robert Half, a remuneração mensal varia de R$ 12,7 mil a R$ 19 mil.

 

Além de cursos rápidos, também há MBAs sobre o assunto. A Fundação Álvares Penteado (Fecap) começou a oferecer o MBA em Gestão de Riscos e Compliance em março deste ano e já formou duas turmas, a primeira com 10 e a segunda com 18 alunos. "A maioria é composta por profissionais que já atuam em gestão de riscos, mas há uma parcela que quer migrar para essas áreas", explica o professor Fábio Coimbra, coordenador do curso da Fecap.

 

Apesar de só ter ganhado notoriedade há pouco tempo no Brasil, a figura do compliance officer existe desde a crise de 1929, quando houve a quebra da Bolsa de Valores de Nova York. Naquela época, foi identificada a necessidade da presença de um advogado que checasse o cumprimento das normas nas empresas. Mas engana-se quem acredita que a especialização em compliance só atrai os formados em Direito. As turmas são compostas por administradores, economistas, contadores, engenheiros e até jornalistas, além de advogados.

 

Fonte: Estadão