06/
Sep
Crise na saúde chega à nefrologia

Faz 4 anos que o valor do reembolso da sessão da hemodiálise está congelado no país. Há 14 anos a tabela do SUS não é reajustada. Isso traz como consequência o fechamento de três clínicas no Rio Grande do Sul. O estado possui 70 clínicas de diálise. São 5.500 pacientes crônicos em desassistência no território gaúcho. No Brasil são 112 mil pacientes em diálise. Um brasileiro em cada 10 tem algum grau de doença renal.

 

As principais causas de insuficiência renal são hipertensão e diabetes, doenças estas com tratamento conhecido e que poderiam ser evitadas caso os pacientes tivessem acesso aos serviços básicos de saúde. “O paciente quando é diagnosticado com insuficiência renal já se encontra em estado crônico, tardiamente, com uma série de doenças associadas e muitas delas irreversíveis”, destaca a nefrologista Gisele Lobato.

 

Com o fechamento das clínicas pacientes precisam se deslocar até a cidade mais próxima para conseguir dar continuidade ao tratamento. Foi o que aconteceu com o psicólogo Julio Cesar Stangherlini. Com o fim dos trabalhos da clínica localizada em Canela, Julio é uma as cinco pessoas que percorrem 50 km para realizar hemodiálise em Taquara. “Há cerca de 6 meses perco 7 horas do meu dia na função do tratamento porque levo cerca de 3h para ir e voltar de Taquara mais as 4h próprias para a hemodiálise”, reclama.

 

As unidades hoje que dependem do SUS sobrevivem às custas de empréstimos bancários. Cada sessão de diálise custa R$ 252,00 por paciente. O SUS repassa o valor de R$ 179,00. Consequentemente o acesso ao tratamento é cada vez menor comprometendo a sobrevida dos pacientes.

 

Fonte: simers.org.br