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May
Médicos que fizeram BO contra posto de saúde na zona leste são demitidos

A Promotoria investiga se a SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina) demitiu dois médicos da AMA Ermelino Matarazzo (zona leste) porque eles fizeram um boletim de ocorrência alertando para a falta de estrutura na unidade.

 

Os médicos afirmaram que, no dia 8 de janeiro, foram obrigados pelo responsável técnico da AMA a atender pacientes de alta complexidade, o que seria responsabilidade do pronto-socorro do Hospital de Ermelino Matarazzo –mas o PS não tinha profissionais em número suficiente e estava encaminhando pacientes em estado grave para a AMA.

 

Os médicos se recusaram a atender pacientes por falta de estrutura e decidiram fazer um boletim de ocorrência para preservação de direitos.

 

Três médicos fizeram o BO. Uma está afastada há cerca de um mês por questões de saúde. Outros dois foram demitidos no mesmo dia, no último domingo (7) –dois dias depois de o "Agora" revelar que o hospital, sob a gestão de João Doria (PSDB), ao lado da AMA, mantinha pacientes nos corredores.

 

A promotora de Justiça Dora Martin Strilicherk, da Promotoria de Direitos Humanos e Saúde Pública, diz que médicos da AMA não podem entubar pacientes ou atender pessoas com infarto e insuficiência respiratória grave.

 

Segundo ela, caso não atendessem pacientes assim, os médicos poderiam ser acusados de omissão. Atendendo, se algum paciente tivesse problemas, poderiam ser processados por lesão corporal culposa (sem intenção). Por isso registraram o BO.

 

"Não pode ter como resposta a demissão. É uma resposta que impõe o silêncio aos médicos", diz a promotora. "A terceirização não pode precarizar ainda mais o serviço de saúde."

 

OUTRO LADO

A SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina) diz que os dois médicos desligados tiveram seus contratos rescindidos sem justa causa e não serão readmitidos -ela não informou, porém, o motivo das demissões.

 

A associação afirma que, no plantão citado, as equipes estavam completas e que, pelas fichas de atendimento, os três profissionais realizaram juntos um total de 162 atendimentos nas 12 horas. "Nenhum desses atendimentos pode ser considerado de alta complexidade", diz, em nota.

 

A Secretaria Municipal da Saúde, sob gestão João Doria (PSDB), disse que, no dia 8 de janeiro, devido à falta pontual de médicos clínicos no PS do Hospital Ermelino Matarazzo, os profissionais que estavam de plantão na AMA foram informados que atenderiam a demanda do PS com o nível de complexidade e capacidade de atendimento da AMA.

 

Segundo a pasta, médicos protestaram contra a possibilidade de atender casos de alta complexidade, que foram encaminhados a outros serviços da região. Segundo a pasta, o hospital passa por mudanças para melhorar a assistência e a qualidade do atendimento.

 

MACAS NO CORREDOR

O "Agora" revelou, na última sexta-feira (5), que o corredor do Hospital Municipal de Ermelino Matarazzo (zona leste), sob a gestão João Doria (PSDB), tinha 38 pacientes espalhados pelos corredores, aguardando vagas para a internação.

 

Na ocasião, o prefeito disse que exigiu uma solução para o caso e que a situação estava resolvida.

 

"Eu acompanhei a matéria, imediatamente acionei o secretário e disse para ele que não faz sentido ter pessoas em corredor de hospital público. Já foi resolvido e houve o endereçamento das pessoas no próprio hospital", disse.

 

Foram liberados leitos nos quartos ao dar alta para pacientes. "Não é apressar, é identificar pacientes que já estão em condição de alta", disse na última sexta-feira (5) o secretário municipal da Saúde, Wilson Pollara.

 

Apesar disso, na última terça (9), a reportagem voltou ao local e contou 27 pessoas, tanto homens quanto mulheres, em macas aguardando leitos para a internação.

 

Depois disso, a prefeitura anunciou que diretores de hospitais municipais vão fazer levantamento da necessidade da ampliação de salas para internação. 

 

Fonte: Folha de São Paulo